O prefeito Assisinho ganhou repercussão nacional após publicar, no dia 15 de maio, um vídeo em que anuncia aumento salarial para os garis de Malhador. Na gravação, o gestor faz inicialmente uma suposta “pegadinha” de demissão com os trabalhadores e, em seguida, afirma que os garis do município seriam “os primeiros do Brasil” a receber salário de R$ 3.500, caso a Câmara aprovasse o projeto. O vídeo viralizou nas redes sociais, foi compartilhado em páginas de todo o país e criou a imagem de que os garis da cidade passariam a receber o novo valor anunciado pelo prefeito.
No entanto, o projeto de lei enviado posteriormente pela Prefeitura mostra que o salário de R$ 3.500 não será pago para toda a categoria. O texto encaminhado à Câmara divide os trabalhadores em dois grupos: Gari I e Gari II. Apenas 15 garis enquadrados como Gari II terão remuneração final de R$ 3.500, composta por salário-base de R$ 2.500 mais adicional de 40%. Já os demais trabalhadores classificados como Gari I terão salário-base de R$ 1.800, além de adicional variável entre 20% e 40%
Outro ponto que passou a ser questionado foi a forma como o anúncio foi feito antes mesmo da tramitação oficial do projeto na Câmara. No vídeo publicado no dia 15 de maio, o prefeito afirma que os garis seriam os primeiros do Brasil a receber salário de R$ 3.500 “se a Câmara aprovasse” a proposta. Na mesma gravação, ele diz que enviaria o projeto ao Legislativo no dia 19. No entanto, o protocolo oficial mostra que o texto só chegou à Câmara no dia 21 de maio. Mesmo sem o projeto ter sido oficialmente apresentado aos vereadores, o anúncio já havia tomado grandes proporções nas redes sociais e colocado o tema em debate público antes da análise do Legislativo.
No mesmo dia em que o projeto foi protocolado, os vereadores aprovaram a proposta enviada pela Prefeitura. Também em 21 de maio, o vereador Douglas Santos de Jesus, conhecido como Galego do Muro, apresentou uma indicação pedindo que o reajuste fosse estendido também aos garis do tipo I, defendendo que todos os garis, independentemente da função, exercem trabalho pesado, cumprem a mesma carga horária e deveriam receber tratamento salarial igualitário. A proposta foi apoiada apenas pelos três vereadores da oposição sendo eles: Galego do Muro, Alisson do Nota Dez e Professora Jeane, e rejeitada pelos demais vereadores, todos aliados ao prefeito.
Além da diferença salarial entre os grupos, dois trechos do projeto passaram a gerar questionamentos. Um deles estabelece que o adicional pago aos garis do tipo I poderá variar entre 20% e 40%. Outro trecho autoriza a própria Prefeitura a definir futuramente, por meio de decreto, os critérios e percentuais que serão aplicados. O resultado é que o projeto aprovado acabou sendo bem diferente da expectativa criada pelo vídeo publicado pelo prefeito no dia 15 de maio: dos 65 garis previstos no texto, apenas 15 terão remuneração final de R$ 3.500, enquanto os outros 50 trabalhadores ficaram enquadrados em uma faixa salarial menor e ainda sujeitos a futuras definições da própria Prefeitura.




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