Aguardado com ansiedade por sua equipe de campanha e os correligionários, especialmente a cúpula do PT e o Palácio de Ondina, o crescimento do candidato a governador petista Jerônimo Rodrigues, parece, enfim, ter dado as caras. Tanto as últimas pequisas quanto sondagens internas sinalizam que o petista chegou à casa dos 20%, como resultado do esforço da exposição de sua desconhecida figura nestes 10 dias de propaganda política e, principalmente, da associação do presidenciável Lula a ele no horário eleitoral.
A perspectiva de elevação das intenções de voto em Jerônimo já havia sido percebida pela campanha do adversário ACM Neto, que mantém o favoritismo para ganhar as eleições em 2 de outubro, também segundo as pesquisas, motivo porque o próprio candidato do União Brasil passou a preparar sua tropa para o novo dado em estratégia para manter a equipe tranquila e animada no momento que antecede a reta final da campanha. Ainda que se mantenha, como esperado, o crescimento do candidato petista, no entanto, está longe de representar um sossego para o próprio Jerônimo.
Ele já foi avisado de que não é necessário apenas crescer, mas manter um ritmo de subida que transforme, aos olhos da sociedade, sua candidatura numa aposta competitiva, e mesmo derrubar as intenções de voto no principal concorrente, que, no entanto, tem demonstrado densidade suficiente para se manter à frente do páreo até a boca da eleição. É um quadro que transforma o desejo dos petistas de levar a disputa para o segundo turno ainda num sonho. Mesmo a expectativa de que, neste terreno, o plano pudesse ser ajudado pela candidatura de João Roma (PL), tem se revelado frágil.
Como os próprios números apontam, o candidato do presidente da República ao governo baiano parece distante de empolgar a integridade da bolha bolsonarista, com a qual revela assim ter dificuldades de se comunicar, e ainda vive a possibilidade muito concreta de desidratar pelo chamado voto útil, o qual deve migrar para ACM Neto à medida que ficar claro para o eleitor que não deseja a vitória do PT que o candidato do União Brasil é o único capaz de derrotar a hegomonia de 16 anos do partido de Lula na Bahia.
É por isso que os números envolvendo a campanha neste exato momento apontam para o objetivo daqueles que as comandam de diminuírem os erros no que puderem, maximizando os acertos no que for possível. ACM Neto vai buscar manter-se na liderança sem desconsiderar eventualmente a possibilidade de realização de um segundo turno na Bahia, ao passo que Jerônimo pretende focar na sustentação do seu crescimento afim de conseguir levá-la para uma segunda etapa, o que pesquisadores dizem que, se acabar ocorrendo, será efetivamente um fenômeno.




