Maio de 2021 se tornou o mês mais letal da pandemia da covid-19 em Sergipe. O estado
registrou o novo recorde mensal de óbitos no último sábado, 29, quando chegou a 780
mortes acumuladas este mês, conforme o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado
da Saúde.
Com a atualização do boletim desta segunda-feira, 31, maio já soma 817 óbitos, 44 a mais
em relação ao mês anterior. Até então, abril havia sido o mês mais crítico quanto ao número
de mortes no estado, com 773 vidas perdidas por causa da infecção.
Para o professor de Imunologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Diego Moura
Tanajura, esse cenário epidemiológico comprova a característica mais duradoura da
segunda onda da pandemia, em consequência da relação entre o comportamento de risco
das pessoas, a chegada de novas variantes, e o estágio do processo de vacinação.
- A segunda onda, que está sendo mais duradoura e letal, pode ser explicada pelo
comportamento de risco da população, no qual boa parte perdeu o “medo” do vírus no
momento mais crítico da pandemia, relaxando nas medidas de cuidado; a falta de políticas
públicas organizadas e centralizadas de combate ao vírus por meio do Ministério da Saúde,
o surgimento de novas variantes, como a P.1, que chega a ser 2.4 vezes mais transmissível;
e o processo lento de vacinação que ocorre no nosso país – afirma Diego Tanajura. - Ainda nem baixamos o número de casos e óbitos, como aconteceu ano passado entre a
primeira e a segunda ondas, mas já estamos na iminência de uma terceira onda de
contaminação. Nisso, a chegada da variante indiana preocupa bastante, pois ela parece ser
mais transmissível e vai encontrar o país, por exemplo, sem uma fiscalização intensa em
portos e aeroportos, sem controle nas fronteiras. Infelizmente, temos uma “receita” completa
para ajudar a nova variante se espalhar, se nada for feito – complementa o professor. - Os cinco meses mais letais da pandemia em Sergipe:
Maio 2021: 817
Abril 2021: 773
Julho 2020: 758
Março 2021: 540
Junho 2020: 518



