Foto: José Cruz/Agência Brasil
O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB) 06 de dezembro de 2023 | 15:01
Sem acordo com Europa, Alckmin defende mais integração dentro do Mercosul
O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou em discurso na Cúpula do Mercosul que, em um momento da “fragmentação das relações internacionais”, a integração se dá “no dia a dia com avanços pontuais”.
Com o impasse na definição de um texto para um possível acordo futuro entre Mercosul e União Europeia, Alckmin defendeu o aumento do comércio entre os países do Mercosul. O vice-presidente afirmou que o bloco tem potencial para se tornar uma potência na área energética e na agenda do comércio sustentável
“No Mercosul, [a densidade do comércio intrabloco é de] apenas 10%. O comércio intrabloco tem crescido, mas precisamos mudar esse quadro. O Mercosul é importante para o Brasil, nosso quarto maior parceiro comercial. Além disso, cerca de 80% da pauta comercial é de produtos manufaturados e semimanufaturados. Nossos parceiros do bloco são essenciais no projeto de neoindustrialização”.
De acordo com Alckmin, a região é uma potência na área energética. “Podemos dar um salto na exploração, transporte e agregação de valor dos nossos recursos naturais. É fundamental avançar na agenda do comércio com sustentabilidade.”
As declarações foram feitas nesta quarta-feira (5), durante a reunião do Conselho do Mercado Comum do bloco, na qual Alckmin participa como representante brasileiro junto com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Planejamento, Simone Tebet (MDB).
A proposta de mais integração dentro do bloco sul-americano contrasta com as dificuldades de negociação com os europeus. No último sábado (2), o presidente da França, Emmanuel Macron, contrário ao pacto, afirmou que os termos estão “antiquados”.
“Entendemos que no momento de aparente fragmentação das relações internacionais, o caminho da integração continua a ser relevante e pode dar resultados concretos. A integração não se faz apenas com grandes gestos e grandes acordos. Faz-se também no dia a dia com avanços pontuais que destravam barreiras e criam oportunidades”, discursou Alckmin.
A fala do vice-presidente, sobre uma eventual fragilização das relações entre os países, também encontrou eco nas dúvidas do bloco de como se posicionará o novo governo argentino a respeito do Mercosul.
O presidente eleito, Javier Milei, que toma posse neste domingo (10), fez críticas ao bloco durante a campanha argentina. E a delegação do país chegou esvaziada à cúpula, sem a presença do ministro da Economia, Sergio Massa, derrotado na eleição, e do chanceler Santiago Cafiero. Os dois eram previstos para a reunião de hoje, mas desmarcaram sua participação.
Alckimin, no entanto, mostrou-se otimista no discurso sobre as negociações do acordo Mercosul-União Europeia. Ele afirmou que houve “avanços importantes” nas conversas entre os líderes dos blocos.
“Destaco os compromissos de ambos os lados em prol de um entendimento equilibrado no futuro próximo e a partir das bases sólidas que construímos nos últimos meses de engajamento intenso”, disse.
Durante a cúpula, que termina nesta quinta-feira (7), haveria uma reunião presencial entre os membros do Mercosul para discutir sobre o acordo com o bloco europeu. No entanto, com o esfriamento das negociações, o encontro foi desmarcado e será feito virtualmente. Representantes dos países sul-americanos preferem aguardar qual será a posição do governo Milei. A futura chanceler argentina, Diana Mondino, afirmou que pretende fechar o acordo “algum dia”.
Mesmo sem o anúncio de um texto de acordo entre os dois blocos, o vice-presidente prometeu resultados concretos durante a Cúpula do Mercosul, que acontece no Rio de Janeiro. Como exemplo, ele citou a assinatura do acordo do bloco sul-americano com a Singapura, o primeiro em 12 anos com um país fora do bloco.
“Teremos a assinatura do acordo de livre comércio com Singapura, que envolve não apenas mercadorias, mas favorece investimentos, fluxos de tecnologia, serviços, movimento de pessoas e segurança jurídica. Porta de entrada para a Ásia e para a Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático). Este será o primeiro acordo de livre comércio do Mercosul em mais de 10 anos e o primeiro com o país asiático”, afirmou.
Camila Zarur/Folhapress
Fonte: Site Política Livre




