Foto: Brenda Goh/ReutersNo início do mês, entidade acusou subnotificação da crise sanitária e cobrou de Pequim mais transparência nos dados 20 de janeiro de 2023 | 09:31
OMS elogia China por vacinação contra Covid e indica mudança de tom
A diretora de imunização da Organização Mundial da Saúde (OMS), Kate O’Brien, elogiou a China nesta sexta-feira (20) pelo que chamou de “enorme progresso e esforço” na campanha de vacinação contra a Covid-19 em idosos, tradicionalmente a fatia da população mais vulnerável a casos graves da doença.
Segundo a diretora, Pequim caminha para chegar a todos os idosos com doses primárias e de reforço, ainda que esbarre em dificuldades na comunicação. Isso porque parte da população-alvo na China acha difícil entender as mudanças na política de enfrentamento e hesita em procurar o imunizante.
Ainda que com as ressalvas, a fala de O’Brien muda o tom das declarações da OMS sobre a Covid na China nos últimos meses. Na primeira semana de 2023, uma comissão de especialistas da entidade foi a Pequim e se reuniu a portas fechadas com cientistas chineses.
As conclusões apresentadas foram de que não havia sido identificada nenhuma nova variante do coronavírus —como temiam os países que vinham impondo sanções contra viajantes chineses—, mas que a China estaria deixando de mostrar o impacto real da nova crise sanitária que se configurou após o fim das restrições da Covid zero.
Depois de cobrar mais transparência de Pequim, a OMS disse ter recebido dados que, na prática, confirmavam a tese de subnotificação. Os números indicavam, por exemplo, uma variação de 7.100% entre o total de mortes confirmadas oficialmente pela China e o apontado pelo levantamento da OMS.
A discrepância passava, segundo a direção da entidade, pela “definição muito estrita” de morte por Covid usada pelas autoridades chinesas —que atribuíam ao coronavírus apenas os óbitos em que havia necessariamente um quadro de insuficiência respiratória.
Entre as críticas e o elogio, a China reabriu suas fronteiras, movimento que traz otimismo para a retomada da economia, mas, ao mesmo tempo, aumenta o temor acerca da alta circulação do vírus no país. Soma-se a essa preocupação os feriados do Ano-Novo Chinês, marcado pelo deslocamento de milhões de pessoas dos grandes centros urbanos para as áreas rurais, consideradas mais vulneráveis à crise.
Outra mudança importante nesse período foi a admissão por parte da China de quase 60 mil mortes por Covid em pouco mais de um mês a partir do fim das restrições mais severas. O número dez vezes maior do que a cifra oficial registrada até então indicou uma nova mudança no conceito chinês de morte por coronavírus, uma vez que o diagnóstico de Covid se estendeu a uma gama mais ampla de pacientes. Ainda assim, estima-se que o total de mortes permaneça subnotificado.
Folha de S. Paulo
Fonte: Site Política Livre




