Foto: Sandra Hernández-gv/GCBA/Arquivo
Maurício Macri, ex-presidente da Argentina 27 de outubro de 2023 | 11:07
Macri tenta conter crise na oposição e diz que Milei é o ‘único caminho’ na Argentina
O ex-presidente Mauricio Macri, que comandou a Argentina de 2015 a 2019, quebrou o silêncio e tentou conter a crise que se instalou na sua coalizão de oposição Juntos pela Mudança, de direita e centro-direita, desde que o peronista Sergio Massa triunfou no primeiro turno sobre o ultraliberal Javier Milei.
“É preciso mudar, e hoje quem lidera a mudança é Milei. Temos que ter a humildade de reconhecer que as pessoas optaram por ele. Temos que apoiar sem [pedir] nada em troca”, afirmou ele à rádio local Mitre nesta sexta (17). “O eixo da mudança é o mais importante. As diferenças já foram dadas, e se seguirá discutindo no Congresso”, continuou.
Menos de 72 horas depois das eleições do último domingo (22), a candidata Patricia Bullrich, que ficou em terceiro com 23,8% dos votos, disse que perdoava todas as ofensas feitas pelo libertário durante a campanha, o abraçou e afirmou que o apoiaria no segundo turno a fim de derrotar o kirchnerismo.
Fez isso após ter uma reunião em particular com Macri e Milei na noite anterior, sem combinar com os demais figurões da aliança, o que gerou um racha. Os radicais, força de centro-esquerda e esquerda ainda forte no país, convocaram uma entrevista, chamaram a decisão de “vergonhosa” e decidiram não apoiar nenhum candidato, assim como outras lideranças.
Nas declarações desta sexta, Macri acusou o radicalismo de negociar às escondidas com Massa. “Eles tiveram reuniões constantes com Massa ao longo destes anos. Apoiaram todas as leis que Massa pedia, contrariando a decisão da maioria: aumento de impostos, novas aposentadorias sem contribuições”, disse.
“É o único caminho que a Argentina tem hoje, continuar com os mesmos é nos resignar à pobreza, ao que temos vivido”, continuou, saindo em defesa de sua aliança: “Juntos por el Cambio não se desfez, pelo menos não o que eu fundei. É o mesmo, com seus problemas, com seus conflitos internos. Segue estando aí e está diante de uma nova encruzilhada”.
Bullrich, que ficou em terceiro nas eleições do último domingo (22) com 23,8% dos votos, declarou apoio a Milei dois dias depois, após um encontro na noite de terça com o candidato rival e com Macri. A expectativa é que ela impulsione a candidatura do ultraliberal numa tentativa de derrotar o kirchnerismo, representado por Massa.
“Ela, com sua visão e realidade, confirmou algo que eu concordo: somos a mudança ou não somos nada. Acreditamos que continuar com essa cultura de poder obscura na Argentina nos levará a mais pobreza, exclusão e continuará fazendo com que nossos jovens vão embora”, afirmou Macri nesta sexta.
Júlia Barbon/Folhapress
Fonte: Site Política Livre




