Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação/Arquivo
O presidente Lula 12 de outubro de 2023 | 12:12
Governo Lula tenta alinhar discurso sobre conflito entre Hamas e Israel, que provoca atritos da esquerda à direita
O ataque perpetrado pelo grupo terrorista Hamas em Israel no último sábado gerou impactos no cenário político brasileiro, provocando divergências públicas entre aliados de diferentes espectros ideológicos, tanto à direita quanto à esquerda. Nesse contexto, o governo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca um equilíbrio delicado entre essas duas perspectivas, alinhando sua posição para evitar declarações que se desviem do posicionamento definido pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. A administração petista, que demonstra simpatia pela causa palestina, enfrenta pressões da oposição para condenar as ações do Hamas. A reportagem é do jornal “O Globo”.
Em seu primeiro pronunciamento, ainda no sábado, o presidente caracterizou os ataques como “terroristas”, embora tenha evitado mencionar o nome do grupo extremista. Posteriormente, em outra declaração, ele abordou a questão fazendo um apelo “em defesa das crianças palestinas e israelenses”. Nesse comunicado, o presidente solicitou que o Hamas liberte as crianças que foram sequestradas e pediu que Israel suspendesse os bombardeios.
Alguns aliados de Lula no campo da esquerda defendem que o governo deveria adotar uma postura mais decididamente pró-Palestina. Por exemplo, o ex-ministro José Dirceu, em uma entrevista a um canal de YouTube, argumentou que “rotular o Hamas como terrorista parece contraditório com a própria luta travada pelos judeus e sionistas na Palestina para conquistar seu Estado”. Entretanto, em conversas privadas, Dirceu tem afirmado concordar, em grande parte, com as posições assumidas por Lula e pelo governo em relação ao conflito.
A reaparição de um manifesto de 2021, no qual um grupo de deputados do PT se posicionou contra a classificação do Hamas como organização terrorista, também ganhou destaque. Paulo Pimenta, hoje ministro da Comunicação Social e um dos signatários do manifesto, esclareceu à GloboNews que vincular sua posição atual ao documento é uma “desonestidade intelectual”, dada a evolução do contexto e das discussões.
A existência desse manifesto levou a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, a negar qualquer relação institucional entre o PT e o Hamas. Em uma entrevista à Folha de S. Paulo, ela afirmou que o ataque do Hamas foi considerado “um ato terrorista”, uma terminologia que não constou na nota oficial emitida pelo partido.
Fonte: Site Política Livre




