Uma decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou que o Banco Bradesco não encerre as atividades do posto de atendimento localizado em Chorrochó, município com cerca de 10,5 mil habitantes, situado na região do Vale do São Francisco.
A medida atendeu a um pedido da prefeitura, que alegou impactos negativos para a população em caso de fechamento do único ponto bancário da cidade. O posto é responsável pela gestão da folha de pagamento dos servidores municipais e pelo atendimento de moradores que utilizam serviços presenciais, como emissão de extratos, pagamento de contas e recebimento de benefícios sociais.
O advogado Ciro Dias, que presta assessoria jurídica ao município, destacou que a decisão não apenas impede o encerramento do posto, mas também garante que o banco mantenha algum tipo de estrutura para atender à população. Segundo o desembargador responsável, o Bradesco deve disponibilizar caixas eletrônicos suficientes para suprir a demanda local.
Atualmente, 25,2% dos moradores de Chorrochó têm mais de 50 anos, o que torna o acesso presencial aos serviços ainda mais relevante, já que boa parte da população enfrenta dificuldades em utilizar canais digitais.
Pedro Alexandre na mesma situação
Seguindo o caminho de cidades como Camaçari, Palmeiras e Ubatã, que já obtiveram vitórias na Justiça contra o fechamento de agências, Pedro Alexandre, no nordeste baiano, se prepara para ingressar com ação judicial.
Com cerca de 13,9 mil habitantes, o município foi surpreendido pelo anúncio de fechamento da única agência do Bradesco neste mês. Segundo o procurador municipal, Bruno Amorim, a gestão sequer foi comunicada oficialmente pelo banco:
“Soubemos do fechamento no final de julho através de conversas de rua. Buscamos o banco inicialmente de forma verbal, mas não tivemos respostas. Oficamos a agência para não sermos pegos de surpresa”, relatou Amorim.
A agência mais próxima está localizada em Jeremoabo, a cerca de 60 km de distância, o que deve dificultar a vida dos moradores, especialmente aposentados e servidores municipais.
Tendência nacional
Enquanto os grandes bancos reforçam a digitalização de seus serviços e reduzem custos com agências físicas, municípios do interior têm buscado alternativas para evitar que a população fique desassistida. Para especialistas, decisões como a de Chorrochó podem se tornar marcos importantes no combate à exclusão bancária em regiões rurais e menos favorecidas do país.



