Governador petista foi reeleito para comandar o estado por mais quatro anos. Os ex-governadores Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT), que integravam sua chapa, garantiram as vagas do estado para o Senado.
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Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador da Bahia no 1º turno e declarou que o estado vai “seguir avançando”. Ele derrotou o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil).
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Durante a campanha, o governador associou sua imagem ao presidente Lula. Ele participou de uma caminhada com o petista na terça-feira (29).
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A segurança pública, a saúde e o custo da Ponte Salvador-Itaparica foram os principais temas debatidos. Jerônimo defendeu investimentos e a continuidade das ações.
Reeleito para um segundo mandato como governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) disse que o estado vai “seguir avançando”. Essa foi a primeira declaração feita pelo petista nas redes sociais após a definição da eleição.
“Chegamos até aqui porque cada baiano e cada baiana acreditou no nosso projeto. Agora, vamos arregaçar as mangas e seguir para o segundo turno das eleições, ao lado do presidente Lula, para garantirmos a vitória da democracia. Vamos à luta!”, disse Jerônimo no X.
O petista venceu o pleito no primeiro turno, reeditando a disputa contra o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que ficou em segundo lugar. Os demais candidatos eram Ronaldo Mansur (PSOL), Aroldo Felix (UP), Maria Bona (PCO) e Ariel Capistrano (DC).
Assim como Jerônimo, os candidatos ao Senado na chapa governista, os ex-governadores Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT), também saíram vitoriosos. No âmbito nacional, o grupo apoia o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vai disputar o segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Jerônimo Rodrigues (PT) vota em Salvador — Foto: Tarsila Alvarindo/TV Bahia
Em sua primeira entrevista pós-reeleição, o governador afirmou que o resultado das eleições na Bahia não foi uma surpresa e atribuiu a vitória ao trabalho realizado durante o mandato.
“O resultado estadual, ele não nos surpreendeu, sem nenhum tipo de vaidade. Nós trabalhamos, é o reconhecimento que aconteceu nas urnas da Bahia, é a gratidão do povo da Bahia. Nós não trabalhamos com outra forma se não for com trabalho”.
Jerônimo também destacou o apoio do grupo político ligado ao presidente Lula e ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). “É um time que entregou, nós entregamos a nossa vida, nosso suor, nossa alma”, destacou.
Segundo o governador, as entregas realizadas durante a gestão, como hospitais, policlínicas, unidades básicas de saúde (UBSs), ambulâncias e viaturas, contribuíram para o resultado nas urnas.
Ao comentar o resultado das eleições no âmbito federal, o governador reafirmou o compromisso da Bahia. “Nós não vamos faltar ao Brasil. A Bahia não vai faltar ao Brasil. Nunca faltou, nunca”, afirmou. Jerônimo também citou episódios históricos para destacar a participação da Bahia na formação política do país, como a Independência do Brasil. “Foi a Bahia que estendeu a mão”, resume.
Elogios a Jacques Wagner
Ainda na coletiva, Jerônimo Rodrigues rasgou elogios para o senador Jaques Wagner. Para o governador, o petista reeleito para o Senado foi uma das peças principais para a presença do partido na esfera política.
“Eu faço uma homenagem especial ao senador Jaques Wagner. É o interlocutor nosso, primeiro. Foi, na história bíblica, o São Pedro que abriu as portas, que mediou todo o processo”, ressaltou ao lembrar que a trajetória do Partido dos Trabalhadores na Bahia ascendeu com a eleição de Wagner para o governo, em 2006.
O senador não presenciou o pronunciamento. De acordo com a equipe de Jerônimo, ele não pôde comparecer pois estava muito emocionado com o sucesso da campanha.
Como foi a disputa
Jerônimo Rodrigues celebra reeleição para o governo da Bahia — Foto: Rafael Cerqueira / g1 BA
Durante a campanha, iniciada em 16 de agosto, quando passou a ser permitida a realização de propaganda eleitoral, como comícios, carreatas, distribuição de material gráfico e propaganda na internet, Jerônimo Rodrigues percorreu diversas regiões da Bahia.
O candidato à reeleição participou de caminhadas, carreatas e comícios em municípios do interior e também em Salvador.
Ao longo da campanha, Jerônimo também apostou na associação da candidatura com o presidente Lula. A expressão “Time de Lula na Bahia” foi utilizada em atos realizados pelo candidato em diferentes municípios.
No fim da campanha, Lula participou de uma caminhada em Salvador ao lado de Jerônimo. O ato ocorreu entre os bairros de Ondina e Barra, na terça-feira (29), e reuniu uma multidão.
A segurança pública foi um dos principais temas de questionamentos à gestão de Jerônimo durante a campanha.
O candidato afirmou que, caso fosse reeleito, trabalharia para retirar cidades baianas do ranking dos municípios mais violentos do país. Um levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública citado durante a campanha apontou a presença de municípios baianos entre os que apresentaram os maiores índices de violência.
Jerônimo defendeu que o problema já vinha sendo enfrentado pela administração estadual e destacou investimentos na área, como novas contratações de policiais, equipamentos, viaturas e delegacias.
Também prometeu fortalecer o setor de inteligência e aumentar a articulação entre o governo estadual e as prefeituras para combater a violência.
As pesquisas de intenção de voto também mostraram uma disputa acirrada entre os dois principais candidatos. Levantamento Quaest divulgado no sábado (3), um dia antes da eleição, apontou Jerônimo Rodrigues com 52% dos votos válidos e ACM Neto com 48%, configurando empate técnico.
Na pesquisa estimulada divulgada em 24 de setembro, Neto tinha 42% e Jerônimo, 40%. No levantamento de agosto, ACM Neto aparecia numericamente à frente de Jerônimo, com 39% contra 37%, mas também havia empate técnico entre os candidatos.
Perfil de Jerônimo Rodrigues
Jerônimo Rodrigues com apoiadores durante comemoração a sua reeleição como governador da Bahia — Foto: Rafael Cerqueira / g1 Bahia
Nascido em Aiquara, no sudoeste da Bahia, Jerônimo Rodrigues tem 61 anos, é casado, tem um filho e mora em Salvador. Ele foi eleito governador da Bahia em 2022 e buscou a reeleição em 2026.
Engenheiro agrônomo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e professor universitário licenciado, começou a atuar no governo do estado em 2007, na gestão de Jaques Wagner (PT), quando foi convidado para trabalhar como assessor da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti). Em 2010, ainda no governo Wagner, passou a compor a equipe da Secretaria de Planejamento (Seplan).
Em 2011, foi convidado para atuar em Brasília, onde foi secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), além de ter ocupado outros cargos na pasta durante o governo Dilma Rousseff (PT).
Em 2014, coordenou o programa de governo de Rui Costa (PT), que seria eleito naquele ano. Com a eleição de seu antecessor, foi o primeiro titular da recém-criada Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Em 2018, voltou a coordenar o programa de governo de Rui Costa e, no ano seguinte, assumiu a Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), de onde saiu para ser candidato ao governo.
Escolhido pelo PT para encabeçar a chapa, ele terminou o primeiro turno na liderança e enfrentou ACM Neto no segundo turno. Foi eleito governador pela primeira vez no segundo turno, com 52,54% dos votos válidos.
Reedição da disputa de 2022
Assim, a eleição de 2026 repetiu o principal confronto da disputa pelo governo da Bahia de quatro anos antes. Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil) voltaram a se enfrentar após chegarem ao segundo turno em 2022. Naquele ano, Jerônimo foi eleito com 52,54% dos votos válidos, contra 47,46% de ACM Neto.
Jerônimo buscou a reeleição novamente ao lado de Geraldo Júnior (MDB), enquanto ACM Neto voltou a disputar o cargo com Zé Cocá (PP), ex-prefeito de Jequié. Além dos dois, outras quatro candidaturas foram registradas para o governo estadual: Ariel Capistrano (DC), Aroldo Félix (UP), Maria Bona (PCO) e Ronaldo Mansur (PSOL).
Principais temas da campanha
Segurança pública, saúde e infraestrutura estiveram entre os temas presentes nos debates e nos atos de campanha. Jerônimo foi alvo de críticas dos adversários pelos índices de violência no estado e defendeu a continuidade dos investimentos em contratação de policiais, equipamentos, viaturas, delegacias, câmeras de reconhecimento facial e inteligência.
Na saúde, a fila da regulação foi um dos principais pontos de confronto entre Jerônimo e ACM Neto. O candidato do União Brasil questionou o governador sobre o atendimento da rede pública, enquanto Jerônimo citou obras e investimentos realizados durante seu primeiro mandato.
A Ponte Salvador-Itaparica também apareceu entre os assuntos discutidos durante a campanha. Jerônimo foi questionado sobre o aumento da estimativa de custo do projeto, que passou de cerca de R$ 7 bilhões para R$ 11 bilhões, e apresentou justificativas relacionadas à complexidade do empreendimento e às intervenções previstas além da construção da ponte.
Na reta final, a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em atos de campanha reforçou a associação entre as candidaturas de Lula e Jerônimo.
