A Igreja de São João Batista, em Jeremoabo, foi palco no último dia 13 de um marco histórico para a memória cultural do sertão: o registro fotográfico e audiovisual do livro de batistério atribuído a Maria Bonita, figura icônica do cangaço. O documento, preservado há mais de três séculos nos arquivos paroquiais, reforça a importância da cidade no contexto histórico nordestino.
O evento reuniu representantes da cultura, historiadores, pesquisadores e membros da comunidade local, que acompanharam o momento simbólico de valorização da identidade regional.
Resgate da memória e fortalecimento cultural
A coordenadora municipal de Cultura, Saionara Varjão, ressaltou a relevância da ação para o fortalecimento da memória coletiva:
> “Estamos resgatando uma história que por muito tempo ficou esquecida. Nosso objetivo é trazer às novas gerações aquilo que faz parte da identidade de Jeremoabo, valorizando o que é nosso e preservando aquilo que não pode ser arrancado da nossa história.”
Valor histórico dos arquivos paroquiais
O pároco da Igreja de São João Batista, padre João Batista, destacou a importância da preservação documental e expressou satisfação ao confirmar que o batistério de Maria Bonita está registrado nos livros da paróquia:
> “Saber que Maria Bonita pode ter sido batizada aqui enriquece ainda mais a história da nossa comunidade. Um povo sem memória é um povo sem identidade, e este registro tem um valor imenso para Jeremoabo e para o Brasil.”
O padre assinou oficialmente a certidão de batismo, reforçando a autenticidade do documento histórico.
Presenças marcantes e reflexões históricas
Entre os participantes, estiveram representantes de instituições culturais, como o secretário de Turismo de Paulo Afonso, Emerson Leandro, que destacou a importância de narrar a história do cangaço com responsabilidade e sem romantizações:
> “A história precisa ser contada para que a sociedade atual compreenda o caminho percorrido por nossos antepassados.”
A procuradora do município, Dra. Michele de Castro, representando o poder público municipal, também enfatizou o valor do registro para a compreensão das raízes regionais:
> “Jeremoabo sempre foi a cidade-mãe da região. Se o batistério está aqui, é porque Maria Bonita provavelmente era daqui. É um trabalho que fortalece nossa identidade e nossa memória.”
Historiadores reforçam impacto para pesquisas e turismo
Estudiosos do cangaço, como Robério Santos (projeto Cangaço na Literatura) e Sandro Li (Rota do Cangaço), destacaram que o acesso a documentos originais abre novas possibilidades para pesquisas e para o turismo histórico no sertão baiano.
O escritor Marcos Antônio Lima, presidente da ASLAN e membro da Academia de Letras de Paulo Afonso, também participou da solenidade e reforçou o papel da literatura e da pesquisa na preservação do patrimônio cultural:
> “É um momento histórico para Jeremoabo e para toda a região. Documentos como este fortalecem nosso vínculo com o passado e ampliam o conhecimento sobre a trajetória de Maria Bonita.”
Um passo importante para o patrimônio histórico de Jeremoabo
O registro do batistério representa um avanço significativo na preservação documental da cidade, reafirmando o papel de Jeremoabo como um dos cenários fundamentais da história do cangaço e da vida de Maria Bonita.

