Durante entrevista na JeremoaboFM, o secretário de Educação, Josemar, e o secretário de Saúde, Dr. Risvaldo Júnior, detalharam os planos para a implantação de um Centro Integrado de Atendimento a Crianças e Adolescentes com Deficiência, previsto para 2026. A proposta é reunir, em um mesmo espaço, serviços de educação, saúde e assistência social, garantindo atendimento mais completo e multidisciplinar.
Segundo Josemar, a ideia surgiu da necessidade de fortalecer as políticas de inclusão no município, que atualmente já acompanha cerca de 300 crianças com laudos. “Queremos um centro que seja referência, mas com estrutura sustentável. Não adianta abrir de qualquer forma. Estamos planejando para que funcione com toda a equipe necessária, garantindo qualidade e continuidade do serviço”, destacou.
Dr. Risvaldo lembrou das dificuldades enfrentadas por famílias que aguardam atendimento especializado. Ele citou sua experiência no Centro Estadual de Referência em Salvador, onde, na época, havia fila de mais de 1.500 crianças, com tempo de espera de até dois anos. “Não podemos repetir essa realidade aqui. O desafio é grande, mas nosso compromisso é oferecer atendimento digno e sustentável, com prioridade para crianças neurodivergentes, como as do espectro autista, que já representam a maior demanda em Jeremoabo”, afirmou.
Entre os principais obstáculos apontados estão a falta de profissionais especializados — como neuropediatras, psiquiatras infantis e terapeutas ocupacionais — e a questão do financiamento, já que o município arca com quase todos os custos. “Infelizmente não existe recurso federal ou estadual destinado diretamente para o centro. Tudo recai sobre o município, e precisamos construir uma base sólida para manter o serviço”, explicou Josemar.
Atualmente, Jeremoabo já conta com salas de recursos multifuncionais em algumas escolas e auxiliares de vida escolar, contratados para dar suporte individualizado a alunos com deficiência. Além disso, o município realiza formações para professores e gestores sobre planos educacionais individualizados (PEI), reforçando a política de inclusão.
O secretário ainda ressaltou que, apesar das dificuldades, as crianças não estão desassistidas: “Temos fonodiólogas, psicopedagogos, psicólogos e outros profissionais atuando, mas ainda de forma insuficiente. O centro vai permitir ampliar e integrar esses atendimentos.”
A previsão é que o Centro Integrado de Reabilitação e Atendimento Educacional seja instalado em um espaço adaptado a partir de um colégio municipal, com possibilidade futura de pleitear financiamento federal.
“Estamos recomeçando do zero, mas com responsabilidade. O centro será construído para durar e atender as famílias com qualidade”, concluiu Dr.Risvaldo.



