Foto: DivulgaçãoO presidente da Assembleia, o deputado Adolfo Menezes 16 de março de 2023 | 07:22
O acerto de Wagner e Rui na escolha de Adolfo para a Assembleia, por Raul Monteiro*
Primeira prova de fogo no Legislativo vivida por Jerônimo Rodrigues (PT), a aprovação do nome da ex-primeira-dama Aline Peixoto para o Tribunal de Contas dos Municípios, na semana retrasada, mostrou também o tamanho do governo na Assembleia Legislativa e ele não é pequeno. 0s 40 votos obtidos pela candidata contra os 19 sufrágios atribuídos pelos parlamentares para o seu concorrente, o ex-deputado Tom Araújo (União Brasil), representam uma base cevada, cuja tendência, pela tradição e histórico da Casa, é de crescimento, consolidando a força do Executivo entre os parlamentares.
Apesar da cautela com que estrategicamente se posicionou sobre a indicação da mulher do ministro da Casa Civil do governo Lula, Jerônimo não titubeou desde o princípio no compromisso de fazer o nome passar com margem tranquila de votos, deixando claro para a base que a votação era prioridade máxima. Muito antes, junto com o aliado e antecessor, tratou de negociar o retorno à bancada do PP, partido que havia deixado o governo para apoiar, contra ele, a candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao governo do Estado e muito cedo deu mostras de que pretendia fazer o caminho de volta na direção do ‘amparo’ governista.
O plano não seria efetivado com o mesmo nível de segurança caso não tivesse tomado parte dele, como um verdadeiro maestro na condução da bancada governista, o presidente da Assembleia, o deputado Adolfo Menezes (PSD), que soube mobilizar a base na hora e com os argumentos certos com o objetivo de assegurar que a votação não representaria riscos para o governo. Parlamentar experiente, conhecedor do espírito da Casa e bom negociador, mas firme quando o momento exige, Adolfo entrou em campo nos momentos decisivos para exigir compromisso dos colegas com a aprovação de Aline.
Demonstrou ainda habilidade quando escolheu os deputados Niltinho, por acaso líder do PP na Casa, e Rosemberg Pinto (PT), que exerce a liderança do governo, para atuar como verdadeiros soldados na linha de frente das articulações para viabilizar a votação. Jogando em sintonia, os dois marcaram os colegas de perto, monitorando os anseios da base e, em muitos casos, sempre sob a coordenadação de Adolfo, conseguiram, inclusive, reverter votos que poderiam se rebelar, ajudando a dissipar reações e a enfraquecer ainda mais a oposição, que saiu, de fato, fragilizada do processo.
Tal como no episódio do rompimento do PP com o governo, no início da campanha estadual do ano passado, a aprovação tranquila do nome Aline mostrou o acerto tanto de Rui quanto do senador Jaques Wagner (PT) na escolha de Adolfo para suceder Nelson Leal (PP) no comando da Assembleia. O partido do hoje oposicionista João Leão forçara a mão para fazer o sucessor de Nelson, no que, acertadamente, como hoje se prova, não teve o apoio dos petistas. Pelo nível do serviço já prestado, mas do que também virá pela frente, será uma surpresa se o presidente da Assembleia não estiver na chapa majoritária de Jerônimo em 2026.
*Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
Raul Monteiro*
Fonte: Site Política Livre


