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O vice-governador Geraldo Júnior vai ser escolhido para disputar a prefeitura de Salvador 21 de dezembro de 2023 | 08:31
Dia seguinte ao da escolha de Geraldor Jr. será de aflição no PT, por Raul Monteiro*
O dia seguinte ao do anúncio da candidatura do governo do Estado à Prefeitura de Salvador será de aflição para o PT. Especialmente para os vereadores do partido. Como não acreditam que o Conselho Político e muito menos o governador Jerônimo Rodrigues (PT) irão ratificar a candidatura do deputado estadual petista Robinson Almeida, resta a eles apenas refazer os cálculos, se preparar para uma eleição concorrida e, mais importante do que tudo, se unir para buscar uma contrapartida junto ao próprio governo afim de melhorar as condições de competitividade da bancada com vistas à sua reeleição na Câmara Municipal.
A insatisfação e a insegurança atinge a todos eles com a iminência do anúncio da candidatura do vice-governador Geraldo Jr. (MDB) à sucessão do prefeito Bruno Reis (União Brasil), hoje. De acordo com cálculos dos petistas, sem um nome do partido disputando o Palácio Thomé de Souza, eles imaginam que vão perder pelo menos cerca de 30 mil votos que a legenda poderia lhes assegurar. Isso pode significar a eliminação de uma vaga das quatro que o partido possui hoje no Legislativo da capital baiana, o que é encarado como um golpe pesado na representação da agremiação na principal cidade do Estado a partir de 2024.
O impacto é tão grande que, segundo as más línguas, o presidente estadual do PT, Éden Valadares, já se prepara para a romaria de visitas com mensagens de protestos que deverá receber posteriormente ao anúncio do vice-governador como candidato em Salvador. Na prática, os vereadores que temem pela retirada da candidatura petista não vão procurá-lo apenas para se queixar. Eles querem envolver o chefe estadual da sigla num processo em que, além de se responsabilizar pelos efeitos da escolha do governo, ele encaminhe os pleitos com que a vereança acha que Jerônimo pode compensar a ausência de uma candidatura majoritária do PT.
A demanda é para que o governador estenda ao grupo os mesmos cuidados que deverá dirigir à irmã, a vereadora Marta Rodrigues, cuja eventual derrota seria colocada integralmente em sua conta e representaria uma desmoralização para ele, seu governo e o partido. Mas o apoio à sua reeleição não pode ser visto como mero familismo. Marta é um símbolo de resistência do PT na capital. Elegeu-se pela primeira vez quando ACM Neto (União Brasil) assumiu a Prefeitura de Salvador e foi por anos, inclusive no período que marcou o auge de sua gestão na capital, uma voz praticamente solitária de oposição ao seu grupo político.
Portanto, ajudá-la não seria mais do que o reconhecimento de um irmão hoje empoderado na condição de chefe do Poder Executivo estadual ao papel que ela desempenhou, na maior parte do tempo sozinha, no enfrentamento ao governismo municipal. O que os colegas da vereadora sabiamente desejam é apenas que, aproveitando que deve se empenhar para elegê-la, o governador promova o mesmo esforço para a renovação do mandato da bancada. Éden, acreditam, pode ser uma peça importante neste processo, inclusive porque tem planos eleitorais para 2026, um ano em que os vereadores poderiam lhe retribuir a mãozinha em Salvador.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
Raul Monteiro*
Fonte: Site Política Livre


