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Paula Fróes/Arquivo/GOVBA 19 de outubro de 2023 | 08:29
Depois de muita conversa e sinais trocados, governo parece acenar com “não-adversário” em Salvador, por Raul Monteiro*
Nada melhor para um competidor do que um adversário fraco, sem forças para enfrentá-lo e muito menos desestabilizá-lo. Porém, ainda melhor do que um concorrente inerme, sem condições de competir em igualdade de condições, é um não-adversário. É o que parece que o grupo de partidos liderados pelo governo do Estado promete, inadvertidamente, reservar para o prefeito Bruno Reis (União Brasil), candidato à reeleição cujo favoritismo, por essas e outras, só aumenta. Contrariando as primeiras intenções, os sinais trocados que se passou a produzir no âmbito do governo em relação a Salvador estão revelando que a capital baiana está longe de ser prioridade.
O palco mais recente dos desencontros tinha como propósito exatamente o contrário. No último sábado, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) convocou seu Conselho Político para uma reunião cujo objetivo era tratar da sucessão na capital, mas a condução do encontro e seus resultados produziram um tamanho desânimo que ficou difícil acreditar que ocorrerá um impulso seguro para o lançamento de uma candidatura firme, ainda que se apresente como de unidade. A começar pela opção de se constituir uma comissão a fim de discutir e tomar decisões sobre as eleições em Salvador cuja composição passou a ser alvo de críticas desde que foi anunciada.
Na verdade, ao escolher Fabya Reis, secretaria estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, um quadro petista, embora sem vínculos políticos e eleitorais com a capital, para coordenar o colegiado, sem a presença nele dos vereadores de Salvador, o governo pareceu querer demonstrar simpatia com a candidatura do hoje vice-governador Geraldo Jr. (MDB) em detrimento dos nomes de Olívia Santana e Robinson Almeida, candidatos, respectivamente do PCdoB e do PT. É a leitura possível diante dos rumores de que o emedebista contaria com o apoio do senador Jaques Wagner (PT), para quem o PT demonstraria sabedoria se abstiver-se de liderar a disputa.
Mas é uma leitura possível dado o flerte pelas redes sociais já registrado entre o ex-ministro Geddel Vieira Lima com a própria Fabya, a quem se referiu como melhor opção de vice na chapa de Geraldo Jr. A troca de amabilidades, seguida da escolha dela para o colegiado, poderia sinalizar claramente para um entendimento com o MDB cujo anúncio poderia se dar em breve não fosse uma declaração ontem do presidente estadual do PT, Eden Valadares, portanto, posterior ao encontro de sábado, na qual garante que seu partido nacionalmente tem total interesse na disputa de Salvador, vinculando-a à batalha presidencial futura, que deve ser mais uma vez liderada por Lula.
Ocorre que Éden é ligado diretamente a Wagner, da mesma forma que o deputado de poucos amigos Robinson, o que só aumenta o grau de confusão sobre o que o partido que lidera a coalizão do governo pensa efetivamente a respeito da capital. Não espanta que, ao final da reunião do Conselho Político, a maioria dos políticos tenha saído com a certeza de que ao governo interessa muito mais investir em municípios onde considera que tem viabilidade eleitoral do que gastar tempo e recursos em Salvador, o que, por sua vez, apontaria para a possibilidade de a sucessão cair no colo do candidato do MDB e ser conduzida pela Geddel e Lúcio Vieira Lima.
*Artigo do editor Raul Monteiro.
Fonte: Site Política Livre


