Foto: Divulgação
O presidente da (UGT-BA), Marcelo Carvalho 03 de novembro de 2023 | 19:45
Qual o seu desejo de renovação em 2024?, por Marcelo Carvalho*
Caminhamos céleres para o fechamento de 2023. Um ano que, do ponto de vista político, começou auspicioso com a celebrada posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato e a esperança de um novo tempo, livre do obscurantismo do governo passado. Em 2024, milhares de brasileiras e brasileiros voltarão às urnas para escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores de suas cidades. Pessoas cujos nomes muitos de nós só procuramos saber ao sair de casa para a votação, mas a quem delegamos um enorme poder, que é o de cuidar do lugar onde vivemos, propor projetos e fiscalizar o bom uso das verbas públicas.
A partir de janeiro e até as eleições de outubro, um calendário estabelecido pelo TSE deverá ser cumprido por candidatas e candidatos. As convenções partidárias, coisa a que normalmente ninguém dá bola, com exceção de quem respira a militância, antecede o pedido de registro de candidaturas. E vale muito a pena acompanhar as notícias que vêm dos bastidores. No caso de Salvador, chama atenção a configuração da Câmara Municipal depois do pleito de 2020, pois o que se poderia esperar de renovação democrática gerou uma rearrumação de cadeiras de pouco mais de 40%, com destaque para o número de homens eleitos (79%) e ascensão de forças políticas de direita e ideologia conservadora.
Se tomarmos como exemplo as eleições de deputados federais, estaduais, senadores e governador em 2022 na Bahia, encontraremos um cenário mais ou menos parecido. A Assembleia Legislativa muda a passos lentos, são famílias acomodadas no poder há mais de duas ou três décadas, com os filhos herdando o capital político dos pais, porém sem vocação para o mister. Ou determinados segmentos ligados a práticas assistencialistas obtendo um previsível sucesso nas urnas. A despeito de uma hegemonia de gestão que resultou numa série de conquistas e implementação de políticas públicas em favor dos menos favorecidos, somos instados a pensar: “nossos ídolos ainda são os mesmos/ e as aparências não enganam, não”.
Sabemos que o sistema político brasileiro representa um entrave aos mais novos, a começar pela estrutura dos partidos, que tendem a favorecer quem é filiado e já concorreu ou ocupa algum cargo eletivo. Levantar fundos para uma campanha é um tremendo desafio. Conclui-se então que a renovação pela qual tantos de nós, jovens ou adultos, talvez desacreditados com a política almejamos, não virá da noite para o dia e nem solucionada por um messias aloprado. Depende de mudanças estruturais, mas também de um trabalho de valorização das bases e formação de novas lideranças. Preocupação essa que a União Geral dos Trabalhadores vem se ocupando.
Final de ano é tempo de solidariedade, presentes, de refazer a lista de compromissos e desejos que deixamos para trás, de renovar os votos e as esperanças. O meu é o de que possamos ver novos talentos representados na política baiana em 2024, nomes que possam representar a genuína vontade popular sem o lastro do sangue, do sobrenome ou da tradição empoeirada.
* Marcelo Carvalho é professor, filósofo, presidente da União Geral dos Trabalhadores da Bahia (UGT-BA) e do Conselho Estadual Tripartite e Paritário de Trabalho e Renda (Ceter-Bahia) ligado à Setre
Fonte: Site Política Livre




