Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Rodrigo Osmo afirma também que, após mudanças no governo Lula, Minha Casa, Minha Vida corresponde a 100% do faturamento 24 de setembro de 2023 | 10:11
‘Mexer no FGTS pode ser extremamente doloroso para a baixa renda’, diz CEO da Tenda
Um dos setores mais sensíveis às taxas de juros, por causa dos financiamentos de longo prazo, a construção civil foi fortemente afetada pelo ciclo de elevação da taxa básica e espera voltar a respirar com a Selic em queda.
Mas, para os negócios voltados à moradia da baixa renda, perdura um risco, diz Rodrigo Osmo, diretor-presidente da construtora Tenda: o da mudança nas regras do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
“Se não houver cuidado em como é que se mexe na dinâmica de remuneração do FGTS, a gente pode desconstruir algo que funciona extremamente bem”, afirma o executivo da Tenda, cujo foco é o público de baixa renda.
Em entrevista à Folha, ele diz que “essa mudança em discussão tem de ser pensada com muito cuidado para a gente não cometer algo extremamente doloroso para a população carente”.
A mudança na remuneração do FGTS está em discussão no STF (Supremo Tribunal Federal) e pode afetar o financiamento do Minha Casa, Minha Vida. Se a corte decidir pela alteração, diz Osmo, há riscos para a habitação popular brasileira.
A construtora Tenda está atravessando neste ano um período de recuperação, após amargar um prejuízo “inimaginável” de R$ 547 milhões em 2022, conforme a própria empresa descreveu em seu balanço do quarto trimestre do ano passado.
Agora, boa parte da melhora nos números da empresa tem relação com mudanças no formato do programa Minha Casa, Minha Vida implementadas pelo novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Focada no público que recebe até dois salários mínimos, a construtora tira proveito das mudanças no programa social, que fortaleceram justamente a faixa 1 que engloba famílias que ganham até R$ 2.640.
Osmo diz que, no primeiro semestre, o Minha Casa, Minha Vida correspondia a 60% do faturamento total da empresa. Após a sanção, em julho, das mudanças no programa social, as vendas de imóveis pelo MCMV passaram a ser 100% do faturamento da companhia.
Stéfanie Rigamonti / Folha de São Paulo
Fonte: Site Política Livre



