Foto: Marcello Casal Jr./Agência BrasilDurante o dia, a moeda chegou a ser negociada a R$ 4,94 02 de fevereiro de 2023 | 17:46
Dólar fecha a R$ 5, após tom duro do Copom, e Bolsa cai com perda de Vale e Petrobras
O dólar fechou nos R$ 5 nesta quinta (2), impulsionado pela decisão do Banco Central de manter a Selic (taxa básica de juros) em 13,75% ao ano e pela entrada de fluxo estrangeiro no mercado brasileiro.
É a primeira vez desde 29 de agosto de 2022 que a moeda americana chega a este patamar.
O dólar comercial à vista fechou em queda de 0,35%, vendido a R$ 5,04. Durante o dia, a moeda chegou a ser negociada a R$ 4,94.
O Ibovespa registra queda, oscilando nos 111 mil pontos, pressionado pelo recuo das ações da Vale e da Petrobras. Às 12h50 desta quinta, VALE3 caía 4,42% e PETR4, 2,49%.
Já os bancos privados registram alta, impulsionados pela decisão do Copom. As ações do Itaú (ITAU4) subiam cerca de 2,16% e as do Bradesco (BBDC4), 2,5% nesta tarde.
O Santander Brasil, que divulgou nesta quinta um lucro abaixo do esperado, oscilava com viés de alta. Segundo o balanço, os resultados relativos ao quarto trimestre de 2022 mostram lucro líquido gerencial de R$ 1,689 bilhão, uma queda de 45,9% em relação ao trimestre anterior.
Para Vitorio Galindo, head de análise fundamentalista da Quantzed, o desempenho das ações decorre de uma leitura positiva dos dados de inadimplência nas operações de crédito a pessoas físicas.
“O CEO [do Santander] comentou na teleconferência que as novas safras estão melhorando o perfil de crédito e que a inadimplência está abaixo da média do mercado. Também mostraram isso na apresentação, acho que deu uma animada com a recuperação da carteira/resultados”, diz Galindo.
Em alta puxada pela queda do dólar, as ações das aéreas Gol e Azul se destacam nesta quinta no Ibovespa. Às 15h50, a GOLL4 subia acima dos 15,26% e a AZUL4 avançava 11,20%.
“As companhias aéreas são extremamente sensíveis à variação cambial e à do petróleo. A valorização dessas ações reflete a expectativa de que a desvalorização do dólar ajudará a melhorar o resultado das companhias, seja por aumentar a demanda por viagens internacionais, seja por reduzir os custos das aéreas”, afirma Charo Alves, da Valor Investimentos.
Com pedido de tutela de urgência para impedir que seus ativos sejam bloqueados a pedido de credores, abrindo caminho para uma nova recuperação judicial, a Oi vê suas ações derreterem nesta quinta. Às 12h15, os papéis OIBR4 eram negociados a R$ 3,91, queda acima dos de 23%.
TAXA DE JUROS PELO MUNDO
Os bancos centrais globais, que correram para aumentar as taxas de juros no ano passado em meio à alta da inflação, agora, preparam o terreno em uníssono para uma pausa que, embora ainda não prometida, começa a ser vislumbrada para este ano. O reflexo já é sentido nos pregões.
Os principais índices de Wall Street tiveram um impulso após o chefe do banco central americano, Jerome Powell, reconhecer que a inflação está começando a diminuir depois que o banco central dos EUA elevou as taxas em 25 pontos-base.
Os comentários de Powell acalmaram investidores com a percepção de que uma recessão nos EUA, que tem sido amplamente precificada, provavelmente será branda.
Às 16h25, o Nasdaq subia a 121.172 pontos, conforme a Meta Platforms disparava após reduzir previsão de custos.
As ações de outras empresas de tecnologia, incluindo Apple Inc, Alphabet Inc e Amazon.com Inc subiam entre 2,2% e 6,4%. As três empresas devem divulgar resultados trimestrais após o fechamento do mercado.
O Dow Jones Industrial operava com queda, em 33.929 pontos; o S&P 500 subia a 4.184 pontos.
Na zona do euro, as ações atingiram seu nível mais elevado em quase um ano nesta quinta-feira, depois que mensagens agressivas contra a inflação por parte do BCE (Banco Central Europeu) falharam em diminuir as esperanças de investidores de que o ciclo de alta das taxas de juros globais esteja próximo do fim.
Um índice amplamente observado das ações da zona do euro fechou em alta de 1,8%, numa máxima desde 18 de fevereiro do ano passado, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 1,35%, a 459,20 pontos.
O BCE elevou as taxas de juros em 0,50 ponto percentual nesta quinta-feira e sinalizou explicitamente pelo menos mais um aumento da mesma magnitude no próximo mês, após o qual avaliaria o caminho subsequente da política monetária.
As ações imobiliárias, que são mais sensíveis aos juros, foram as que mais subiram no STOXX 600 nesta quinta, em alta de 6,8%, enquanto os papéis de tecnologia atingiram seu nível mais elevado desde março do ano passado.
Os bancos, cujas margens geralmente se beneficiam do aumento das taxas de juros, caíram das máximas em quase um ano tocadas no início da sessão e fecharam em queda de 0,7%.
IMPACTO DO COPOM NA VALORIZAÇÃO DO REAL
Nesta quarta (1º), antes do anuncio do Copom, o dólar à vista fechou em queda de 0,25%, a R$ 5,06 na venda, patamar de encerramento mais baixo desde 4 de novembro passado (R$ 5,05).
O tom duro do Banco Central ao justificar sua decisão, alertando para a incerteza fiscal e a pressão inflacionária, foi lido por analistas como um sinal de que os juros não devem cair neste ano —tornando, assim, a moeda brasileira atraente para investidores estrangeiros.
O recuo do dólar foi impulsionado também pela decisão do Federal Reserve, o banco central americano, de elevar sua taxa de juros em 0,25 ponto, uma desaceleração em relação a aumentos anteriores para o combate à inflação.
“A ideia de que os juros não vão cair tão cedo ganha cada vez mais força e evidência prática, e o fluxo para o mercado local tende cada vez mais a aumentar”, disse à Reuters Bruno Mori, planejador financeiro pela Planejar, destacando o amplo espaço entre os patamares de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Quanto maior o diferencial entre os custos dos empréstimos domésticos e internacionais, mais atraente fica o real para uso em estratégias de “carry trade”, que consistem na contratação de empréstimo em país de juro baixo e aplicação desses recursos em praça mais rentável. Desta forma, a manutenção da Selic no nível elevado atual e um arrefecimento do aperto monetário do Fed jogam a favor da divisa brasileira.
Para além do fator juro, alguns investidores apontaram o resultado das eleições para as lideranças do Congresso como um suporte adicional para o real, depois que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu o que queria ao ver reeleitos Arthur Lira (PP-AL) como presidente da Câmara e Rodrigo Pacheco (PSD-MG) como presidente do Senado.
“Câmara e Senado consolidaram condições de governabilidade melhores, isso é super positivo para a questão da atividade (econômica)”, disse Mori, que também citou uma reabertura econômica na China como outro impulso para a divisa doméstica e outras moedas de países emergentes.
Ana Paula Branco/Folhapress
Fonte: Site Política Livre



