Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/ArquivoO dólar fechou em alta nesta terça-feira (7) 07 de fevereiro de 2023 | 18:26
Dólar acumula valorização de 3% em 3 dias com tensão entre governo e Banco Central
O dólar fechou em alta nesta terça-feira (7), enquanto o Ibovespa entra na última hora de pregão em baixa, com os investidores atentos às tensões entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Banco Central, comandado por Roberto Campos Neto.
O dólar comercial fechou em alta de 0,46%, encostando no patamar de R$ 5,20, cotado a R$ 5,199. Às 17h40, o Ibovespa operava em baixa de 0,84%, a 107.804 pontos.
Os juros estão em queda nos vencimentos mais curtos, e com ligeira alta nos mais longos. Os contratos para 2024 recuavam de 13,80% no fechamento desta segunda-feira (6) para 13,66% ao ano. No vencimento em 2025, a taxa recuava de 13,22% para 13,12%. Para 2027, as taxas subiam de 13,09% para 13,13%.
Essa diminuição na diferença entre as taxas mais longas e curtas indicam que as políticas defendidas principalmente pelo presidente Lula podem dificultar a tarefa do Banco Central de controlar a inflação e diminuir os juros, segundo analistas.
Em comentário, a Mirae Asset aponta que já há comentários no mercado de que a taxa básica de juros pode ser mantida no patamar atual de 13,75% até o final de 2023.
A corretora aponta um resquício eleitoral na postura do presidente Lula, já que Campos Neto foi nomeado pelo ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, durante o governo Bolsonaro, o que levanta a questão do alinhamento do presidente do BC com a gestão anterior.
“Não há alinhamento político. Campos Neto defende a autonomia do BC e fará tudo para manter a inflação controlada”, ressalta a Mirae.
“[A independência] é muito importante por muitas diferentes razões. A principal razão, no caso da autonomia do Banco Central, é desconectar o ciclo de política monetária do ciclo político porque eles têm diferentes lentes e diferentes interesses”, afirmou Campos Neto em um evento em Miami, nos Estados Unidos.
Rodrigo Moliterno, especialista de Renda Variável da Veedha Investimentos, ressalta que o comportamento dos juros futuros reflete toda a preocupação do mercado com essa postura do governo com o BC.
“Os contratos com vencimento em 2033 estão acima de 13,40%, mostrando toda a preocupação dos investidores com essa situação”, explica Moliterno.
Em Nova York, os índices estão caminhando para fechar em alta, após o discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Segundo comentário do analista Michael Feroli, do JP Morgan, em entrevista à agência Bloomberg, o discurso de Powell nesta terça-feira não teve um tom muito diferente do apresentado na semana passada, antes da divulgação de criação de empregos acima do esperado pelo mercado.
Isso deu um alívio aos investidores, que esperavam um discurso mais duro. Assim, o Dow Jones subia quase 0,60% perto das 17h40, o S&P 500, 1,00% e o Nasdaq avançava 1,60%.
No Brasil, as tensões entre governo e Banco Central ainda estão no radar do mercado. Nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adotou um tom mais conciliador, após a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a taxa básica de juros em 13,75% ao ano.
“A ata do Copom veio melhor do que o comunicado. Uma ata mais extensa, mais analítica, colocando pontos importantes sobre o trabalho do Ministério da Fazenda. Uma ata mais amigável em relação aos próximos passos que precisam ser tomados”, afirmou o ministro.
Por outro lado, Haddad sinalizou que haverá um reajuste de salário para os servidores públicos federais este ano.
Renato Carvalho/Folhapress
Fonte: Site Política Livre



