Foto: Vinicius Loures/Arquivo/Câmara dos Deputados
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad 22 de junho de 2023 | 12:42
Com ok de Haddad, PT caminha para apoiar versão final do Plano Diretor
Em conversa telefônica na terça-feira (20), Láercio Ribeiro, presidente municipal do PT, e Fernando Haddad, ministro da Fazenda, disseram ter visto com bons olhos os recuos recentes da gestão Ricardo Nunes (MDB) e da Câmara Municipal de São Paulo em relação à revisão do Plano Diretor Estratégico de São Paulo e que, caso elas sejam de fato incorporadas ao texto, o partido deve dar apoio na segunda votação.
A atual versão do Plano Diretor foi elaborada durante a gestão Haddad, em 2014. A primeira versão da revisão do plano, aprovada em maio pelos vereadores, foi recebida com críticas da oposição e de urbanistas, que viram uma forte tendência de incorporação de demandas do setor imobiliário. Como mostrou o Painel, o projeto absorveu 18 de 26 propostas feitas por associação de incorporadoras.
O próprio Haddad passou a articular contra a aprovação do projeto como estava, por meio de conversas com a bancada de vereadores do PT, com Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Gilberto Kassab (PSD), mostrou a coluna Mônica Bergamo.
Nas últimas semanas, o relator Rodrigo Goulart (PSD) tem feito mudanças no projeto e recuado em pontos mais permissivos à verticalização.
“Estávamos bem preocupados com a descaracterização do Plano Diretor que aprovamos em 2014. O projeto enviado pela prefeitura já era ruim, e as alterações feitas na Câmara descaracterizavam completamente o nosso plano. Desde então, tiramos posição contrária ao Plano no partido, o Haddad conversou com os vereadores, mostrou-se muito preocupado”, diz Ribeiro.
O presidente do PT municipal destaca como recuo relevante a adoção de um raio de até 700 metros (antes era um quilômetro) das estações de metrô e trem e de 400 metros (antes era 450 m) no entorno de corredores de ônibus para a construção de prédios mais altos. Além disso, também a retirada de vilas tradicionais de eixos de adensamento e a manutenção do formato atual do Fundurb.
“Na última semana, a gente tem avançado com a base do governo para mudar o que a gente julgava que era um retrocesso. Me parece que a última versão do projeto contempla boa parte do substitutivo que nós apresentamos, ainda que a gente pedisse a supressão de artigos”, completa.
“Diante das conversas, falei com Haddad, e ele acha que diante dessas mudanças, isso abre caminho para votar junto [com o governo]. Ele defende que, diante disso, tenha um acordo entre base e oposição e que a gente possa caminhar juntos”, conclui.
Senival Moura, líder do PT na Câmara Municipal, diz que a bancada de vereadores pensa da mesma forma e deve oficializar sua posição ainda nesta quinta-feira (22).
“A possibilidade é clara [de votar junto]. As sugestões apresentadas pelo conjunto da bancada do PT estão sendo acolhidas no texto do relator. Sendo assim, não vejo dificuldade em votar favoravelmente. O nosso compromisso era esse, na primeira votação. Tudo caminha para que votemos favorável”, afirma Moura.
No primeiro turno, o PT votou dividido, com quatro manifestações contrárias e outras quatro favoráveis.
Guilherme Seto/Folhapress
Fonte: Site Política Livre



