Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto 23 de outubro de 2023 | 17:20
Cenário externo tem duas mensagens: juros altos nos EUA e mudança do modelo chinês, diz Campos Neto
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, avaliou nesta segunda-feira, 23, que a interpretação que começou a se consolidar sobre os possíveis motivos da elevação dos juros nos Estados Unidos é menos benigna e mais estrutural.
Se a alta dos yields (rendimentos) dos títulos americanos tem causa estrutural, complementou o presidente do BC, fica a pergunta sobre em quanto tempo os juros seguirão mais altos.
As declarações foram dadas durante o evento “Reflexão sobre o cenário econômico brasileiro”, organizado pelo jornal O Estado de São Paulo, com apoio do Broadcast, em parceria com o B3 Bora Investir, site de notícias e conteúdo educacional produzido pela Bolsa.
Ao abrir o evento na sede do Estadão, Campos Neto pontuou que as taxas mais altas nos Estados Unidos levantaram quase todas as curvas de juros. “Está ficando mais claro uma interpretação menos benigna e mais estrutural. Em sendo estrutural, existe a pergunta: em quanto tempo os juros seguirão mais altos?”, comentou Campos Neto. Ele disse ainda que espera mais uma alta dos juros nos Estados Unidos em dezembro.
Ao elencar as várias explicações da alta dos juros nos Estados Unidos, o presidente do BC citou, além do tema fiscal, as intervenções de moeda na China, a sazonalidade dos leilões de títulos no país, e a piora do risco país na maior economia do mundo.
Na análise do cenário externo, ele lembrou ainda que a China mudou o modelo de crescimento para inovação e consumo, ao invés de investimento e construção. “O próprio governo chinês disse que a mudança de modelo vai levar a um crescimento mais baixo”, assinalou.
Eduardo Laguna/Francisco Carlos de Assis/Estadão
Fonte: Site Política Livre



