Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil
BC descarta intensificar ritmo de redução de juros nas próximas reuniões 08 de agosto de 2023 | 09:31
BC descarta intensificar ritmo de redução de juros nas próximas reuniões, mostra ata
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central concordou de forma unânime em manter o ritmo de cortes dos juros em 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões, julgando como “pouco provável” uma intensificação adicional do afrouxamento da taxa básica (Selic), conforme ata publicada nesta terça-feira (8).
“Com relação aos próximos passos, os membros do Comitê concordaram unanimemente com a expectativa de cortes de 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões e avaliaram que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário”, disse.
“O comitê julga como pouco provável uma intensificação adicional do ritmo de ajustes, já que isso exigiria surpresas positivas substanciais que elevassem ainda mais a confiança na dinâmica desinflacionária prospectiva”, acrescentou.
Na última quarta-feira (2), o Copom iniciou o ciclo de cortes de juros, com a redução da taxa básica em 0,5 ponto percentual —de 13,75% para 13,25% ao ano. Coube ao presidente do BC, Roberto Campos Neto, dar o voto decisivo no placar de 5 a 4.
O encontro marcou a estreia dos diretores indicados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) –Gabriel Galípolo (Política Monetária) e Ailton Aquino (Fiscalização).
O colegiado do BC considerou também que tanto a opção de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual como em 0,50 ponto percentual, ambas em discussão na mesa, seriam compatíveis com a convergência da inflação para a meta.
No cenário de referência do Copom, as projeções de inflação para este ano caíram para 4,9% e, para 2024, se mantiveram em 3,4%. Para 2025, a estimativa é de 3%.
Atualmente, os objetivos perseguidos pelo BC são 3,25% neste ano e 3% a partir de 2024, com intervalos de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
O grupo que votou por um primeiro cortes já em ritmo moderado ponderou que, desde junho, a inflação apresentou uma dinâmica mais favorável, houve uma melhora na percepção dos agentes financeiros com uma “reancoragem parcial relativamente célere” após a definição da meta pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) e a adequação de recalibrar a taxa de juros real em função dos movimentos nas expectativas de inflação.
Para o grupo que defendeu uma redução da taxa de juros mais parcimoniosa, por outro lado, não se observaram alterações relevantes no cenário ou projeções do comitê que justificassem uma reavaliação da sinalização de “cautela”.
Os divergentes foram Diogo Guillen (Política Econômica), Fernanda Guardado (Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos), Renato Dias Gomes (Organização do Sistema Financeiro e Resolução) e Maurício Moura (Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta).
Nathalia Garcia/Folhapress
Fonte: Site Política Livre



