Foto: Abraão Sales/DivulgaçãoIreuda Silva 01 de março de 2023 | 09:23
Ireuda Silva repudia fala preconceituosa de vereador de Caxias do Sul contra baianos: ‘Fala repugnante’
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e vice do colegiado de Reparação, vereadora Ireuda Silva (Republicanos), repudiou as falas xenófobas, discriminatórias e de apologia à escravidão do vereador de Caxias do Sul (RS) Sandro Fantinel. Na tribuna, ele disse que baiano é acostumado a ‘viver na praia tocando tambor’ e defendeu os empresários ligados às vinícolas Aurora, Salton e Cooperativa Garibaldi, onde cerca de 200 trabalhadores baianos foram resgatados em condições similares à escravidão.
“Sinceramente não sei qual é a desse senhor: se ele quer aparecer, lucrando em cima da situação, ou se quer defender as vinícolas descobertas com mão de obra escravizada na semana passada. A fala desse vereador, que não honra o cargo e deveria ser alvo de processo por quebra de decoro, é repugnante e mancha a imagem do povo do Rio Grande do Sul”, disse Ireuda.
Para a republicana, Fantinel não pode sair impune pelas declarações baseadas em estereótipos raciais e que estimulam a discórdia e o preconceito. “Esse cidadão estaria preso se estivéssemos em um país que de fato repudia as mazelas do próprio passado. Na Alemanha, defender o Nazismo dá cadeia. Por que a apologia à escravidão no Brasil não é tratada da mesma forma? Tem gente que ainda aplaude e tem a desfaçatez de dizer que não existe racismo, exclusão e exploração no país”, pontuou.
A vereadora também repudiou a nota escabrosa divulgada nesta terça-feira (01) pelo Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves, que tem vinícolas envolvidas no caso entre os associados. Ao tentar minimizar as condições desumanas em que estavam os trabalhadores, numa clara violação à lei, a entidade disse que situações como essa ocorrem porque há uma falta de mão de obra, que teria deixado de trabalhar para viver de assistência social.
“É um escárnio. Todo mundo minimamente informado e intelectualmente honesto sabe que a assistência social, seja do governo, seja de entidades independentes, é um paliativo para quem não consegue se inserir no mercado de trabalho por falta de oportunidade e qualificação. Quem é capaz de falar uma asneira como essa desconhece totalmente a realidade brasileira, em que o alto índice de informalidade revela justamente o contrário do que eles disseram. Se todo esse contingente tivesse acesso a empregos, não estaria se virando para sobreviver e sustentar a família. E é preferível estar na informalidade profissional e ser escravizado em certas empresas milionárias, que têm todas as condições de pagar um salário digno”, pontua Ireuda.
Fonte: Site Política Livre




