Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Na Bahia, mais da metade da população negra está em trabalhos considerados informais 20 de novembro de 2023 | 09:47
Dieese divulga boletim sobre inserção da população negra no mercado de trabalho brasileiro
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou dois materiais especiais relacionados à população negra, em razão do Dia da Consciência Negra, celebrado neste 20 de Novembro.
O primeiro é um boletim que examina a inserção da população negra no mercado de trabalho brasileiro e algumas facetas da discriminação racial. Os dados analisados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PnadC-IBGE) e referem-se ao 2º trimestre de 2023.
A publicação inicia destacando que, nos últimos quatro anos, houve “retrocesso econômico e social”, e que embora o desafio ainda seja grande, “em 2023, abre-se novamente espaço para a retomada do debate sobre a construção da igualdade entre negros e não negros”.
No boletim é apontado que o mercado de trabalho “ainda é espaço de reprodução da desigualdade racial”, tanto a inserção, quanto as possibilidades de ascensão são desiguais para a população preta e parda. E as mulheres negras acumulam também desigualdades de gênero.
Entre os destaques do boletim, os seguintes dados:
– Embora representem 56,1% da população em idade de trabalhar, os negros ocupavamapenas 33,7% dos cargos de direção e gerência. Ou seja, um em cada 48 trabalhadoresnegros ocupa função de gerência, enquanto entre os homens não negros, a proporçãoé de um para 18 trabalhadores;
– Entre os desocupados, 65,1% eram negros. A taxa de desocupação das mulheres negrasé de 11,7% – mesmo percentual de um dos piores momentos enfrentados pelas pessoasnão negras, no caso, a pandemia. A taxa de desocupação dos não negros está em 6,3%no 2º trimestre de 2023;
– Quase metade (46%) dos negros estava em trabalhos desprotegidos. Entre os não negros, essa proporção era de 34%. Uma em cada seis (16%) mulheres negras ocupadas trabalha como empregada doméstica;
– Os negros ganhavam 39,2% a menos do que os não negros, em média. Em todas as posições na ocupaão, o rendimento médio dos negros é menor do que a média da população.
Para conferir o boletim completo, clique aqui.
INFOGRÁFICO
Já o segundo material divulgado na última sexta-feira (17), pelo Dieese, é um infográfico que mostra a inserção dessa população no mercado de trabalho, analisando as cinco regiões do Brasil.
Na Bahia, estado nordestino com a segunda maior população negra, proporcionalmente (80,2%) – atrás apenas do Maranhão (81,1%) -, 56,5% das mulheres negras e 56,8% dos homens negros têm trabalhos informais. O rendimento médio deles é de R$ 1.701, enquanto o delas é de R$ 1.569. Clique aqui para conferir os dados completos.
Imagem: reprodução/Dieese
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Fonte: Site Política Livre




