Foto: Roque de Sá/Agência Senado
O tenente-coronel Mauro Cid 11 de julho de 2023 | 17:30
Cid foi visitado na prisão por general demitido por Lula e autor de mensagens golpistas
O tenente-coronel Mauro Cid, principal ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu a visita de ao menos 73 pessoas desde que foi preso, em maio. A lista foi obtida pela CPI do 8 de janeiro, onde o militar presta depoimento nesta terça-feira (11).
Um dos visitantes foi o coronel do Exército Jean Lawand Júnior, principal interlocutor de Cid nas mensagens golpistas destacadas pela Polícia Federal após a vitória de Lula (PT).
Lawand insistentemente pede ao então ajudante de ordens para orientar Bolsonaro a dar um golpe contra a democracia: “Convença o 01 a salvar esse país!”, escreveu. Durante depoimento à CPI, no mês passado, o coronel disse que pedia a Cid uma palavra “apaziguadora” do ex-presidente.
A lista obtida pela comissão também indica que Cid foi visitado pelo general Júlio César de Arruda. Ele foi demitido do comando do Exército por Lula em janeiro, menos de um mês depois de chegar ao cargo, em meio a uma crise de confiança sobre o quebra quebra na Esplanada dos Ministérios.
Cid também foi visitado pelos ex-ministros do governo Bolsonaro general Eduardo Pazuello —hoje deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro— e Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência. A visita dos dois foi questionada pela relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), durante a sessão desta terça.
“Senhor Mauro Cid, eu tive acesso à lista de visitantes que o senhor, na verdade, tem recebido. Agora, ultimamente, o senhor está recebendo mais familiares. Eu pergunto ao senhor: por que o Eduardo Pazuello foi visitá-lo?”, perguntou a senadora.
“Senadora, novamente eu reitero minhas manifestações iniciais dentro do escopo das investigações a que eu sou submetido. Então, em razão do habeas corpus e do assessoramento da minha defesa técnica, vou permanecer em silêncio”, respondeu Cid.
Cid afirmou à CPI que é alvo de ao menos oito investigações criminais e foi orientado pela defesa a usar seu habeas corpus. A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia entendeu que ele deveria ir à sessão, mas poderia ficar em silêncio para não produzir provas contra si mesmo.
O militar foi preso de forma preventiva no âmbito da investigação em torno da falsificação do cartão de vacinação dele, da esposa, da filha mais nova de Bolsonaro, Laura, e do próprio ex-presidente. Ele está detido no Batalhão de Polícia do Exército de Brasília.
O documento da CPI aponta que Cid também foi visitado pelo general Ridauto Lúcio Fernandes, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde. Braço direito de Pazuello na pasta, Ridauto participou do ato golpista de 8 de janeiro.
A lista também indica a visita de familiares, como a esposa, Gabriela Cid, e o pai, general Mauro Cid, além dos advogados Bernardo Fenelon e Rodrigo Roca. Roca atuou na defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e foi Secretário Nacional do Consumidor no governo Bolsonaro.
Nesta terça, Wajngarten saiu em defesa de Cid. O ex-secretário disse à reportagem que Cid está preso há 70 dias “sem nenhuma razão que fundamente sua prisão preventiva”. “Para que todos compreendam, trata-se de prender alguém e jogar a chave fora”, declarou.
O militar foi fardado à comissão e, mesmo decidido a ficar calado, ouviu as perguntas dos parlamentares. O Exército afirmou que ele foi orientado a usar o uniforme por ser militar da ativa e ter sido “convocado para tratar de temas referentes à função para a qual fora designado pela Força”.
O documento da CPI não detalha a data das visitas e está organizado em ordem alfabética.
Thaísa Oliveira/Folhapress
Fonte: Site Política Livre




