A Câmara Municipal de Jeremoabo aprovou o projeto de lei que institui o Dia Municipal das Religiões de Matriz Africana, iniciativa de autoria do vereador Bino. A proposta segue agora para sanção do Executivo Municipal.
Segundo o vereador, a ideia surgiu a partir de visitas realizadas a terreiros da cidade e de outras localidades, além do diálogo com representantes religiosos.
“Fui procurado por várias pessoas pedindo apoio ao projeto. Sempre disse que, no que dependesse de mim, tudo que fosse positivo para o povo teria meu voto. A Casa discutiu, ajustamos o texto e os demais vereadores votaram favoravelmente”, afirmou.
Reconhecimento e igualdade de direitos
Presente na sessão, Michel Damaceno, presidente da Federação de Umbanda de Serrinha, destacou a importância da aprovação.
De acordo com ele, a medida fortalece o reconhecimento das tradições africanas e contribui para a promoção da igualdade entre as diferentes expressões religiosas.
“É um projeto extremamente positivo. Ele busca a igualdade de direitos e a paridade entre as religiões. Em várias cidades já existem datas comemorativas dedicadas ao catolicismo e ao evangelismo. A aprovação em Jeremoabo demonstra respeito à diversidade e fortalece as lideranças das religiões de matriz africana”, afirmou.
Michel ressaltou que a federação já participou da aprovação de outros projetos semelhantes em diferentes municípios e que a iniciativa deve incentivar novas cidades a adotarem marcos semelhantes.
Contribuição cultural e histórica
O presidente da federação também enfatizou que a Umbanda e o Candomblé possuem papel fundamental na construção da identidade cultural brasileira.
Segundo ele, essas tradições preservam saberes ancestrais trazidos da África e fortalecem vínculos históricos e comunitários.
Valorização dos terreiros e combate à intolerância
Michel destacou ainda que o momento é de reafirmação dos valores éticos, espirituais e culturais das tradições africanas.
Ele lembrou que os terreiros desempenham função essencial na preservação dos fundamentos religiosos e na transmissão dos conhecimentos transmitidos pelos mais velhos.
A mensagem deixada à população foi de respeito e convivência harmoniosa entre todas as religiões:
“Quando não soubermos para onde ir, que possamos lembrar de onde viemos. Que cada pessoa reflita antes de agir com racismo ou intolerância. Somos seres humanos e queremos apenas nossos direitos garantidos, nem mais e nem menos.”

