O Fórum em Defesa da Grande Aracaju apela aos municípios de São Cristóvão e Aracaju, envolvidos na disputa por uma faixa territorial, no sentido de distensionar o debate sobre o assunto e a partirem, efetivamente, para um diálogo fraterno.
Mais do que arrecadação de impostos e mais do que a propriedade da faixa de terra, estão as pessoas, razão de existir dos municípios.
Os fatos recentes, como a apresentação do cronograma de trabalho pelo Governo do Estado e o bloqueio de recursos referentes à outorga da DESO, precipitaram o debate e acirraram os ânimos entre as prefeituras, justamente os entes que têm o dever de buscar o melhor para o seu povo.
Como se sabe, trata-se de uma disputa originada na Constituinte de 1989, quando o limite entre os dois municípios foi alterado, sem, contudo, ouvir o povo, por meio de consulta popular: o plebiscito.
Desde a primeira vitória de uma empresa contribuinte do IPTU, em 1998, até os dias atuais, a população dos dois municípios tem vivido momentos de tensão e expectativa com cada decisão judicial ou com as trocas de farpas dos atores políticos das cidades envolvidas.
A faixa de terra que volta para São Cristóvão está em grande parte nos bairros Mosqueiro, Matapoã, Areia Branca e Santa Maria e, em menor parte, nos bairros São José dos Náufragos e Jabotiana.
O Fórum em Defesa da Grande Aracaju, um coletivo composto por técnicos de várias áreas, estuda o caso desde o início e não poderia deixar de se debruçar sobre o tema, visando oferecer às autoridades constituídas e, principalmente aos moradores, sugestões que possam apontar para um desfecho onde todos saiam ganhando, garantindo que o sentimento de pertencimento seja respeitado e o direito de São Cristóvão reaver parte do seu território também, pois isso significa aumento de receitas e arrecadação.
Neste sentido, além de manter e intensificar o debate e o diálogo com a sociedade de ambas as cidades, nós conclamamos as autoridades agir de forma racional.
Sabemos que a solução por meio do Poder Judiciário é muito improvável. O caminho por meio do Poder Legislativo é também difícil e lento. Resta, então, o caminho do bom senso.
As duas prefeituras precisam e devem sentar para conversar fora do tribunal, fora das audiências e fora das petições.
Do nosso ponto de vista, o Município de Aracaju, como parte executada, precisa fazer um aceno para o Município de São Cristóvão, parte exequente. Estender a bandeira branca, da paz, demonstrando disposição a uma conversa franca, visando encontrar uma saída. Essa movimentação da Prefeitura de Aracaju se revestiria num sinal de nobreza e de busca do bem comum, não é sinal de fraqueza. Neste cenário atual seria um sinal de inteligência e de compromisso com a população envolvida.
O Fórum em Defesa da Grande Aracaju entende também que seria o Governador do Estado, o grande mediador deste encontro inicial. Seria o Governador do Estado o grande pacificador dessa querela.
Como contribuição neste debate proporemos ao Governador do Estado que ele, na condição de maior autoridade no exercício de mandato eletivo no nosso estado, convide e faça a intermediação deste encontro.
Nós do Fórum em Defesa da Grande Aracaju, além da proposta de diálogo entre as duas prefeituras, sob a intermediação do Governador do Estado, faremos uma proposta de negociação extrajudicial, que pode ser oferecida à Terceira Vara da Justiça Federal, pacificando o assunto, beneficiando as duas populações, num gesto do que se pode chamar de “ganha-ganha” e pondo um ponto final neste assunto.
Aracaju, 24 de setembro de 2025
Fórum em Defesa da Grande Aracaju
Fonte: Fax Aju



