Foto: Divulgação/CBF
O presidente afastado da CBF, Ednaldo Rodrigues 13 de dezembro de 2023 | 17:11
Antes de deixar CBF, Ednaldo Rodrigues acertou conta milionária com pilotos
Antes de ser afastado da presidência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) por decisão judicial, Ednaldo Rodrigues ordenou o pagamento de despesas milionárias que, agora, estão sendo investigadas internamente.
Uma delas se refere a um acordo feito com os dois pilotos do jato da entidade, que transportavam o dirigente em suas viagens. Ambos eram registrados pela CBF e moveram uma ação trabalhista de R$ 1,4 milhão após terem sido demitidos sem justa causa.
No processo, obtido pela reportagem, um deles, Tiago Aguiar de Lemos, anexou a gravação de uma ligação telefônica feita por ele para a então coordenadora de recursos humanos da CBF, Denise Monteiro. No áudio, ela o orienta a procurar os advogados da confederação para realizar um acordo trabalhista.
Lemos diz que não quer negociar com a CBF e questiona Denise sobre quem deu a ordem para que a sua indenização fosse feita através de um acordo e não pelas vias tradicionais, como ocorreu com as outras demissões recentes na entidade.
“A gente está seguindo o que a gente tem aqui de direcionamento. É um direcionamento que vem de cima, entendeu?”, diz Monteiro.
O piloto então pergunta se Ednaldo é o responsável pela orientação e a ex-coordenadora do RH confirma.
Sergio Ferreira de Siqueira e Tiago Aguiar de Lemos cobram na 73ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro o pagamento de suas verbas rescisórias.
Os advogados dos pilotos relatam vínculo formal de ambos com a CBF: Ferreira era funcionário desde 2010, com salário bruto mensal de R$ 88 mil. Lemos estava na entidade desde 2018, com remuneração de R$ 61 mil.
No processo, eles apontam coação na orientação da CBF por um acordo extrajudicial. Dizem que, caso contrário, não teriam o pagamento das rescisões.
Para Ferreira, que chegou a procurar os advogados da CBF, foi feita uma proposta de pagamento de R$ 642 mil —pouco mais da metade a qual ele tem direito.
Para assinar o acordo, a confederação exigia que os valores não poderiam ser questionados posteriormente na Justiça. Também impunha sigilo.
Neste mês, após uma audiência sem acordo, os advogados dos pilotos e da CBF fecharam uma proposta e o processo agora corre em segredo de Justiça. Os valores não foram divulgados.
ANTECEDENTES
Ednaldo Rodrigues foi destituído da presidência da CBF na quinta (7). Ele tinha chegado ao comando da entidade após o afastamento de seu antecessor, Rogério Caboclo, alvo de denúncias de assédio contra funcionárias.
À época, ele presidia a CBF interinamente e firmou um TAC (Termo de ajustamento de Conduta) com o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro —o que abriu caminho para fosse eleito mais tarde e efetivado no cargo.
No entanto, recentemente, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anulou o TAC porque considerou que o MPF não tinha legitimidade para ajuizar o acordo. Ednaldo recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas o pedido foi negado.
OUTRO LADO
A reportagem procurou ambos os pilotos. Tiago Lemos afirmou que não poderia comentar porque o caso está protegido por sigilo. Não revelou, ao final, o valor do acordo.
A CBF não respondeu até a publicação desta reportagem.
Julio Wiziack/Folhapress
Fonte: Site Política Livre




