Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência BrasilPIB cresce 2,9% em 2022, mas perde ritmo e recua 0,2% no 4º trimestre 02 de março de 2023 | 09:26
PIB cresce 2,9% em 2022, mas perde ritmo e recua 0,2% no 4º trimestre
A economia brasileira fechou o ano de 2022 com crescimento acumulado de 2,9%, conforme dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados nesta quinta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado veio ligeiramente abaixo das estimativas do mercado. Na mediana, analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam alta de 3% para o indicador.
No recorte do quarto trimestre de 2022, o PIB ficou negativo após cinco avanços consecutivos. O recuo foi de 0,2% em relação aos três meses imediatamente anteriores, o que indica um cenário de desaceleração da atividade econômica.
Esse contexto era aguardado por analistas principalmente em razão dos efeitos dos juros elevados. A variação negativa veio em linha com as projeções de economistas consultados pela Bloomberg, que esperavam baixa de 0,2%.
O ano passado foi marcado pelo fim das restrições da pandemia de Covid-19, o que estimulou a circulação de pessoas e o consumo de serviços. Também houve sinais de retomada do mercado de trabalho.
Além disso, o governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL) adotou medidas de estímulo à atividade econômica às vésperas das eleições. Ampliação do Auxílio Brasil e cortes tributários sobre combustíveis fazem parte da lista.
Por outro lado, a elevação dos juros para conter a inflação criou uma trava para o crescimento econômico, sobretudo no segundo semestre, já que o crédito ficou mais caro a famílias e empresas.
Nesse cenário, analistas passaram a prever uma desaceleração do PIB a partir da reta final do ano passado. O movimento, dizem, tende a prosseguir em 2023, o primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O crescimento do PIB em 2022 foi puxado pelas altas nos serviços (4,2%) e na indústria (1,6%), que juntos representam cerca de 90% do indicador. Por outro lado, a agropecuária recuou 1,7% em 2022.
“Desses 2,9% de crescimento em 2022, os serviços foram responsáveis por 2,4 pontos percentuais. Além de ser o setor de maior peso, foi o que mais cresceu, o que demonstra como foi alta a sua contribuição na economia no ano”, afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.
“As duas atividades que mais chamam atenção estão entre as que mais cresceram em 2021, após as quedas de 2020: transportes e outros serviços, que inclui categorias de serviços pessoais e serviços profissionais. Foi uma continuação da retomada da demanda pelos serviços após a pandemia de Covid-19. Em outros serviços, podemos destacar setores ligados ao turismo, como serviços de alimentação, serviços de alojamento e aluguel de carros”, disse Palis.
Além dos juros elevados, o fôlego menor da economia global e a inflação persistente são apontadas como questões que devem inibir a atividade em 2023. A agropecuária, por sua vez, caminha para uma safra maior do que em 2022, o que tende a gerar alívio no PIB.
No acumulado de 2023, a alta esperada para a economia brasileira é de 0,84%, conforme a edição mais recente do boletim Focus, divulgada pelo BC (Banco Central) na segunda-feira (27). A publicação reúne estimativas de instituições financeiras.
Em fevereiro, a decisão do BC de manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano motivou uma ofensiva de Lula contra o presidente da instituição, Roberto Campos Neto. O petista chegou a dizer que o patamar da Selic é uma “vergonha”.
CÁLCULO DO PIB
Produtos, serviços, aluguéis, serviços públicos, impostos e até contrabando. Esses são alguns dos componentes do PIB, calculado pelo IBGE, de acordo com padrões internacionais. O objetivo é medir a produção de bens e serviços no país em determinado período.
O indicador mostra quem produz, quem consome e a renda gerada a partir dessa produção. O crescimento do PIB (descontada a inflação) é usualmente chamado de crescimento econômico.
O levantamento é apresentado pela ótica da oferta (o que é produzido) e da demanda (como esses produtos e serviços são consumidos). O PIB trimestral é divulgado cerca de 60 dias após o fim do período em questão.
Leonardo Vieceli e Eduardo Cucolo/Folhapress
Fonte: Site Política Livre



